quinta-feira, setembro 09, 2010

UMA IDÉIA: As Ciências sociais e a UNIFAP: desafios complexos, caminhante

Corredor do bloco de salas C, Ciências Sociais, UNIFAP, Macapá, Amapá


O pensamento científico alimenta-se de curiosidade. Seguindo essa chamada, apresenta-se o novo desafio de fazer parte de uma instituição superior de ensino. Tornar-se funcionário público parece dar a entender à opinião pública ser parte de um cenário de benesses, algo como um mundo maravilhoso onde todos os sonhos serão realizados. É bem certo que a condição que o vinculo estabelece contempla agora maior disponibilidade para a realização do tripé de ações tipicamente reconhecidas como o metiê do profissional de educação no ensino superior público: a extensão, a pesquisa, e claro, o ensino. O engano típico é pensar que não há trabalho, doação no serviço público, aqui especificamente nos espaços das universidades públicas.
Os professores-pesquisadores (às vezes gestores) contemplam um grupo pago e apoiado para realizar naturezas diferentes de elaboração de mundos possíveis. A pesquisa empírica, o mundo das contemplações, as tecnologias, as medicinas, sem desmerecer nenhuma das abordagens e especificidades, existem para engrandecer o alcance das percepções a atuações humanas.  Mas aqui não se trata apenas de mencionar a natureza do vinculo empregatício e sua remuneração, mas a devida qualificação que repercute como elemento fundamental para se entender os trabalhos na academia.           
No mesmo caminhar, diria que a curiosidade fomenta os processos. Ao cientista social cabe realizar alguns propósitos específicos de sua formação. É profissional qualificado, devendo ser criativo diante das demandas de campo de atuação, mesmo que não sejam tão evidentes as possibilidades para certas análises e suas nuances. Alguns dizem que a academia qualifica somente para o ensino e raramente para a pesquisa e extensão. Por que isso acontece? O que está implícito como cenários ainda em formação ou mesmo naquilo que poderíamos ver as possíveis relações inter e transdisciplinares para o cientista social, em especial no Amapá?
Poderíamos dizer que muitas vezes uma tradição perpetua erros. Se o profissional de ciências sociais costuma ver somente, como futuro possível, sua atuação no campo educacional, a sala de aula, repercute, portanto, que no processo de formação não existe investimento e iniciativas para o mais. A pesquisa é uma perspectiva fundamental para o antropólogo, sociólogo ou cientista político. A pesquisa, seja teórica ou empírica, amadurece tendências, desperta a observação, incrementa intervenções, melhora as disposições colaborativas, contribui para os mais diversos diálogos institucionais, entre atores, publicações, desdobramentos outros. Quando esse espaço-tempo, o da pesquisa, é suprimido ou não realizado, esse profissional que sai da academia é carente em articulações variadas, não consegue perceber que os campos possíveis de atuação nem sempre estão feitos, mas por se fazer; e para isso muito depende certo talento para estabelecer ligações complexas diante de cenários desafiadores. O cientista social pesquisador certamente será aquele que fomenta proposições para ações extensivas a academia. É nesse ponto onde esse cientista, utilizando-se das ferramentas científicas que conseguiu reunir ao longo do seu aprendizado e mais sua sensibilidade cidadã, pode promover mudanças de cenários, sendo propositivo, debatendo, planejando, agindo.
As articulações sobre um perfil de cientista social voltado para as dinâmicas do estado do Amapá contemplam a necessidade de um curso institucional que seja empenhado e realizador de uma visão Crítico-empreendedora. É nesse sentido que o curso de ciências sociais na UNIFAP não deve ser algo a meramente realizar tal ou qual vocação estrita para o ensino, das escolas de ensino médio. Para além de vaidades pessoais e do sintomático carreirismo que se encontra em certos âmbitos do ensino (e na esfera de ensino superior público não seria diferente), é preciso que os docentes da Universidade Federal do Amapá, em geral, tenham em mente a formação dos parâmetros para a formação da mentalidade científica amapaense no presente-futuro. Esse capital humano dará a tônica dos desenvolvimentos e protagonismos futuros sobre ciência e tecnologia nas terras Tucujú.
O desafio em fazer as ciências sociais na UNIFAP algo real para o contexto local, regional e além é pessoal e estrutural, institucional e ético-moral. Há que ser mais forte que o burocratismo frustrante, mas criativo que os esquematismos indolentes, mais atento e realizador que os “bons” posicionamentos coorporativos.  Ao fim, até mesmo a capacidade de criticar àquilo que não vai bem intramuros, é algo que demonstra amadurecimento pela vivência em espaços democráticos, dialéticos e dialógicos, que não permitem pactos com mediocridades eletivas. Vamos em frente, abrimos a porta, entramos...

Respiros!!!

- Quantos oportunistas! Crescem como erva daninha! É preciso treinar o olhar!!!
- Há quem diga, e mesmo não dizendo se contradiz; há quem não faça, e mesmo assim, leva a fama!!!
- Vendo a campanha caricata de certos candidatos! Os Tiriricas da vida estão soltos!!!
- É preciso consciência no trânsito amapaense. Falar de consciência é pensar em duas possibilidades: ou dos donos de veículos nada saber sobre como dominar a máquina, e ai precisarem de qualificação; ou não querem mudar diante do cenário de acidentes, ai é má vontade e ignorância.
- Olha o valor do seu voto: não venda, não troque, não dê. Escolha com verdade que cobrará desdobramentos e acompanhamentos depois e sempre!!!

4 comentários:

Anderson Calandrini disse...

oi professor indiquei seu blog para concorrer ao premio blog de ouro passe no meu blog para saber mais.

Silvia Pelaes (VI semestre Pedagogia) disse...

Professor, compartilho com seus anseios a cerca do fomento à pesquisa e consequentemente à extensão também na graduação em Ciências Humanas. Não sei onde está o problema, mas é fácil perceber que os acadêmicos (ex: Pedagogia) terão sua formação prejudicada por estarem sendo privados da experiência da pesquisa com metodologia científica. Sinto falta de uma continuidade nos projetos de extensão em meu curso e a comunidade precisa do conhecimento que produzimos em sala de aula, semestre após semestre na Universidade. O que fazer?

Ester disse...

ATENÇÃO ALUNOS DO PROFESSOR LUCIANO! APROVEITEM ESSE CARA, ELE É UM MESTRE, PROFESSOR DE VIDA, GENTE DE PRIMEIRA LINHAGEM,UM NORTERIOGRANDENCE CHEIO DE BOAS INTENÇÕES! QUEM GANHOU FOI O AMAPÁ. GARANTO! TENHO DITO!
ESTER MORAIS

Luciano Magnus de Araújo disse...

Agradeço os comentários! Estou sempre atento as interlocuções. Compadre Anderson, valeu o reconhecimento. Passo no seu blog sim, com prazer! Cara Silvia, Acredito que boa parte dos acontecimentos na universidade são mediados pelos professores, mas também pelos alunos. A informação deve circular, deve chegar para se fazer acontecer. A extensão é algo que realmente deve ser fomentada assim como a pesquisa. Vamos em frente! Minha querida Ester, sorte tenho eu de conhecê-la! E a vida assim se faz!!! Vamos interagindo mais, meus queridos observadores, minhas queridas, observadores. Rumo as ações!!!
Agradecido,
Luciano Magnus de Araújo, o editor