Segunda-feira, Outubro 26, 2009

O que representa um evento para se discutir a comunicação? No Amapá...

Esse texto vai para os comunicadores de plantão. Mas que sejam comunicadores que escolheram como ofício de vida serem agentes comprometidos com a informação dos seus expectadores, sejam ouvintes, leitores, ou mais além. Falo com esses que do privilégio de estarem nos estúdios das rádios, nas redações jornalísticas e de revistas, nas televisões, nas academias, nos postos de gestão, aprenderam os deveres éticos das suas responsabilidades, mesmo que não os pratiquem, sabem que existem. É preciso falar sobre os trâmites da comunicação. É urgente se discutir de que maneira serão definidas as maneiras de caminhar para o futuro. Se de agora para frente será construída uma comunicação comprometida com o bem comum ou com parcelas da sociedade, com grupos, com interesses, com particularismos, e de que maneira relacionar as duas modalidades, se assim é possível.  A política da comunicação interessa, a politização da comunição interessa, a despolitização da comunicação interessa, a ideologização da comunicação interessa.
Mas será que consigo chegar próximos desses de quem faço referência? Um evento de comunicação serve para quem? Um grupo seleto? Para falar sobre o que? Assuntos seletos? E a comunidade em geral? E a sociedade?
O papel jornalístico dos meios de comunicação é de serem veículos democráticos, críticos, participantes. Não há, hoje, como ver as sociedades, ditas pós-modernas, sem a presença dos meios de comunicação. Mas, há um perigo em meio (dentre tantos): os veículos estarem nas mãos de pessoas sem nada de compromisso com a sociedade que fazem parte. E o que está sendo falado aqui não é nada que se entenda dentro do contexto fantasioso, segundo alguns, de certos discursos de esquerda, segundo outros, mas fala-se aqui do público a favor do público. Será que existe empresa de comunicação que seja realmente privada? Afinal, toda empresa de comunicação não seria uma concessão? Portanto, tendo a finalidade para a dimensão social. Mas por que será que toda sociedade está alienada dessa condição-entendimento, se é possível usar um termo bem à esquerda? Uma rádio publica é concessão da sociedade para a sociedade, assim como o empreendimento privado. Uma TV, um jornal. Mas onde está o empoderamento público desses espaços? A sociedade se vê representada por esses meios? Quando não há essa representação alguma coisa vai mal. E não estamos falando aqui de programas que exploram o grotesco, o sensacionalista, o espetáculo, mas de propostas de participação coletiva que prezam pela educação do coletivo, pela politização democrática do coletivo, pela qualidade das percepções sobre a realidade histórica.
As muitas perguntas aqui postas são problematizações possíveis para serem discutidas num evento de comunicação, principalmente em terras Tucujú, onde a presença familiar-política é dramaticamente patente. Esse quadro não é exclusivo do contexto local, repete-se como um crescer de ervas daninhas Brasil afora, tornando o campo dos meios de comunicação algo indissociável das vontades parcelares desses grupos, que invariavelmente estão nos espaços de poder, abusando dos recursos ideologizantes, fisiológicos. Assim, torna-se cada vez mais difícil que o ato de comunicação desvirtue o caráter político (entendendo a política maior, a participação política, os indivíduos em busca de seus direitos, sabendo dos seus deveres), como sendo algo das politicagens, fazendo-nos crer que não há mais saída para a política representativa, e, por tabela, para os meios de comunicação, vendidos. Há saída para isso? Sim. Colocarmos isso tudo em discussão é um dos caminhos. Evitar calar os atores sociais. A promoção do debate é necessária. Esse debate precisa ser claro, construtivo, distante de vaidades, de autopromoção. Diretrizes devem ser pensadas, articuladas estratégias, realizadas, os resultados devem ser revistos, novas direções fundamentadas, por fim.  É um processo constante visando os papéis sociais dos meios de comunicação. Parece que pensar no coletivo é algo difícil, que deve ser provocado pelos mais diversos atores sociais como condição fundamental para um processo de comunicação democrático. Essa é somente uma dimensão do desafio. Outras estão automaticamente na agenda das discussões: as mídias sociais, seus impactos e desdobramentos; as relações público-privado e os meios de comunicação; as mídias e o elemento econômico; qualificações, o papel da academia; as convergências das mídias, patrocínios, apoios, projetos; a política e as mídias; empreendedorismos sociais e comunicação; há tanto que falar!
Será que os organizadores e os trabalhadores dos meios de comunicação no Amapá terão a esperada ousadia e liberdade para tocarem certos pontos sensíveis em meio a esses temas? Vamos esperar pra ver. As noticias que temos até agora é que há certo amadorismo em cena. Senhores e senhoras, o mínimo que se espera de vocês é compromisso, até porque vocês estão nos lugares onde a comunicação é pensada. Mas para quem? Que tal respondermos numa boa discussão sem recalques? Espero vocês na Iª Conferência Estadual de Comunicação do Amapá, e ser realizada, quiçá, em novembro do corrente, visando a conferência nacional em Brasília, no mês de dezembro!
Respiros!
E a fundação do senhor do Maranhão-Amapá como anda sem credibilidade e apoio$? Goes Bad!
A Expofeira aqui em Macapá vai de vento em popa, esse modelo já dura 46 edições, contando essa. Uma bela vitrine para o governo, mas...
Ainda há muito o que desenterrar do setor da mineração no Amapá, basta ter disposição de arqueólogo, mas com curiosidade de político ou empreiteiro.
Enquanto isso, fazemos bons contatos por questões mundiais...
Acompanhem o www.neppac.blogspot.com             

Dúvidas, orientações, criticas e sugestões:

Msc. Luciano Magnus de Araújo.
Para Conversações: (96) 8117.7450
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Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Um presente

Gostaria de agradecer ao design Luciano Pedroza pelo presente da nova logomarca do Observatório Amapá. Com talento o grande design e professor conseguiu criar um elemento visual perfeito para o nosso projeto. Agradeço, caro amigo!

Luciano Magnus de Araújo

o Editor

BlogBlogs.Com.Br

Domingo, Outubro 11, 2009

Demandas territoriais no Amapá e o trabalho antropológico

O potencial das demandas por demarcações territoriais no estado do Amapá definem um cenário interessante para análises por parte de profissionais em antropologia. A existência de comunidades indígenas e de afro-descentes possibilita contextos de análise onde na medida em que atualiza discussões sobre os potenciais analíticos do discurso científico, revela realidades sobre disputas, atuações institucionais, atores, problemas, carências. É bem certo que em relação às comunidades indígenas já existe uma situação bem resolvida; salvo a atualidade de novos empreendimentos da modernidade técnica que se insurge nos espaços reconhecidos dos povos indígenas, vide as questões atuais sobre a estrada que corta a terra Uaçá, ainda precisando de estudos antropológicos. Afora isso temos alguns outros pontos que merecem reflexão quando do trabalho antropológico em terras amapaenses.
Nesse contexto alguns atores sociais estão diretamente envolvidos, e mais diretamente quando o tema de territorialidade toca as comunidades afro-descendentes, sejam aquelas já tituladas como terras quilombolas, ou as que estão em processo, mas que já se auto-identificam como quilombos. A demarcação nessas terras parte, portanto, de uma dimensão cultural, simbólica, identitária, coletiva. Mas que também fundamenta certo caráter político. E nesse ponto é preciso considerações breves, para as dimensões desse artigo. A quem interessa o tornar-se quilombola? Ou o auto-reconhecimento é um processo de construção que não necessita de mediações, sendo construído por força do grupo interessado em se auto-identificar e ser reconhecido pelo resto da sociedade? No caso de haverem mediadores o que representam no contexto do grupo, a voz coletiva, dispondo claramente todos os desdobramentos do tornar-se quilombo? Essas são algumas questões fundamentais para o trabalho do antropólogo. Muitas vezes não são postas claramente, mas ao longo das elaborações dos Laudos Antropológicos ou Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA`s), os documentos técnicos que corroboram o judiciário nos contextos de demarcação, precisam ser respondidas. A construção do trabalho antropológico é um processo demorado, necessitam reconhecimentos, relativizações. É um trabalho em etapas, compondo momentos indispensáveis: a auto-identificação das terras, o processo direcionado a Fundação Palmares, o acionamento das instituições públicas de justiça, o laudo antropológico, dando suporte às outras etapas. Nesse contexto, o trabalho técnico do profissional de ciências sociais, o antropólogo, é de participar a lógica da comunidade sobre o uso da terra, sua historicidade, suas ligações entre o ontem e o hoje enquanto grupo. É preciso haver clareza nesses desdobramentos.
Há hoje uma clara defasagem de pessoal nas instituições competentes sobre territorialidade no Brasil, que precisam da elaboração dos estudos antropológicos para resolver certas demandas. Essa defasagem enseja em geral demora nos processos, disputas que muitas vezes procuram distorcer dados, emperrar processos. É preciso entender que, no contexto das disputas, há sempre discursos que querem ser identificados como verdadeiros, construído narrativas sobre propriedade a terra que exigem pesquisa, estudo, verificação. Nesses pontos é onde se situa o trabalho antropológico.
A atualidade do conceito quilombola, assim como a posse a terra nos possibilita a reflexão sobre problemas que estão situados no presente, mas que remontam sincronias e diacronias históricas que precisam ser equacionadas cientificamente, criteriosamente, mesmo que o contexto dessa pesquisa seja o campo de tradições, de práticas e entendimentos coletivos; isso tudo posto na mesa. Menos o exclusivo poder do dinheiro. Nesse ponto é onde se situa a antropólogo como profissional multidisciplinar, atento as demandas de coletividades, em suas realidades específicas, mas vendo ao longe os movimentos da sociedade mais amplamente.
Respiros
Em Macapá, como sempre, para ver os caros eleitores, o homem do senado. E seu séquito
Há quem diga que tudo deve ser apagado, e que precisamos recomeçar do zero. Eita!!!
Alguém pode responder porque tantos afagos nas câmaras ao mesmo tempo que tanto abraços nos bastidores?
Quem usa ônibus coletivo em Macapá sabe o miolo da cabeça que tem de tanto balançar.
Quer ser criativo, contrate um acessor político!
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Quinta-feira, Setembro 03, 2009

O Projeto Rondon em Caturité, Paraíba, Brasil afora...

Pensando depois de quase um mês, estivemos na Paraíba, em vinte e quatro municípios espalhados por essa terra nordestina. De universidades e faculdades distantes ou próximas definimos mais uma edição do Projeto Rondon, agora a edição Nordeste-Sul.

Com nossa equipe maior, composta por dezesseis pessoas, encontra-se tudo que é possível na condição humana: desde interações, acordos, desacordos, brincadeiras, riso, certa reclusão, criatividade. Mas estávamos firmes desenvolvendo as atividades propostas num longo planejamento antes de estarmos aqui. Da mesma forma aconteceu com as outras equipes espalhadas pela Paraíba e por cidades do sul do Brasil. O Projeto Rondon é uma oportuna possibilidade de alunos e professores conhecerem e atuarem em municípios que definem a condição de vulnerabilidade segundo o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. A partir da detecção de municípios que se enquadram em baixos índices de IDH, é feito uma seleção diante de vários aspectos dentre eles economia, política, sociedade, possibilidades, educação, e essa localidade é incluída como futura comunidade a ser visitada pelas equipes rondonistas. Claro que esse seria um esquema bem simplificado de toda a operação de logística que envolve todo o planejamento de mobilização das equipes para as localidades contempladas. Mas, diante de tanto esforço, desde o deslocamento das equipes de suas cidades de origem, até os primeiros reconhecimentos da localidade para onde foram alocadas, a vivência com as pessoas do lugar, tudo, é obra daquilo que é possibilitado pelo Rondon.

Somos agentes de uma ação muito bem vinda, segundo dizem os munícipes. Trazemos bons ares quando ofertamos cursos, palestras, capacitações. As pessoas nas pequenas localidades por onde passa o Projeto Rondon parecem ansiosas por atenção, querem aprender, são atentas e respeitosas sobre aquilo que está sendo dito. Em nenhum momento é possível presenciar aquela arrogância que se encontra muito na cidade quando se quer desfazer dos trabalhos do outro, recusando-se a aceitar aquilo que está sendo oferecido.

Na comunidade onde desenvolvemos nossos trabalhos, Caturité/PB, durante as duas semanas, presenciamos aquilo de desprendimento, boa vontade, sinceridade e adesão por parte da comunidade. Sem essa participação, tanto do setor público institucional, quanto dos populares, as atividades do Projeto Rondon estariam fadadas ao fracasso. As carências locais são um capítulo a parte nos reconhecimentos feitos pelas equipes rondonistas. Ainda assim, o município de Caturité foi se mostrando, dentro de seus limites estruturais, uma localidade bem administrada. É bem certo que as entrelinhas dos processos institucionais-administrativos somente podiam ser imaginadas, mas diante daquilo que nos foi oferecido, realizando o que é solicitado para que os municípios façam parte do Rondon, obtivemos da prefeitura de Caturité e de seus funcionários (que se tornaram mais amigos que meramente representantes do gestor público) tudo o que foi preciso.

As relações, os processos, os reconhecimentos, as identificações, cada coisa em seu lugar teve um capitulo valoroso sobre o que é aprender na convivência em uma comunidade. Estivemos em alguns lugares, falamos com algumas pessoas, tratamos sobre alguns temas, polêmicos ou nem tanto, mas sempre na preocupação de termos a adesão, a participação, a confiança de que estávamos ali para nos doar plenamente para os propósitos do que é o Projeto Rondon: doação, solidariedade, cidadania, responsabilidade com a sociedade.

Muitos de nós somos oriundos de contextos institucionais diferentes, uns de iniciativas privadas outros de instituições públicas, mas que em Caturité, ou qualquer outro lugar do Brasil onde se realizam as ações do Projeto Rondon, não haviam distinções evidentes, mas claramente atores que prezaram, antes de tudo, trabalharem para levar às comunidades boa parte do que conseguimos assimilar em nossos processos de formação profissional, tanto professores quanto alunos. O dizer: “uma lição de Brasil”, não é algo menor, é a mais pura realidade. Conhecemos as mais diversas realidades na medida em que nos embrenhamos nas particularidades dos mundos, das especificidades das maneiras de viver, de fazer, de ser. E ainda fazemos amizades, somos tidos como amigos, somos valorizados como pessoas de bem, isso é o que importa. Agora abrindo o mapa do Brasil não vemos somente abstração, lugares distantes ou mais perto, mas conhecemos um pouco mais disso que chamamos federação, a terra para se viver, ser, e fazer acontecer.

Domingo, Julho 12, 2009

De jornalismos, opiniões e diplomas

A pauta mais atualizada, talvez pouco tratada ainda, mais que repercute em alguns setores, trata da queda da obrigatoriedade do diploma para que se trabalhe em empresas de comunicação. Essa talvez não seja uma preocupação maior da sociedade brasileira, saber que setores de empregabilidade exigiam credenciais técnicas, talvez não seja preocupação muito menos por parte daqueles que circulam no meio comunicacional, como jornalistas ou aspirantes. De fato alguns setores reclamaram, falaram, reportaram suas concordâncias e indignações, tanto aqueles que discordaram ou concordaram, sendo jornalistas ou não, certamente repercutindo nenhum consenso.

Alguns problemas podem ser relacionados à decisão da Suprema Corte brasileira. Na sociedade contemporânea qual o papel da técnica? Qual o lugar dos reconhecimentos numa sociedade meritocrática? Qual o papel daquilo que podemos investigar como sendo a raiz da liberdade aludida pelos senhores do STF, será a opinião?

Perguntas pululam nas salas de aula dos cursos de jornalismo. Será que vale a pena ser jornalista? Sem diploma? E sobre mercado de trabalho? Todo mundo agora pode ser jornalista? Será o jornalista menos que cozinheiro do bar da esquina? Questões que não clareiam o problema, mas despistam, distraem, superficializam.

Aqueles estudantes, que vivenciaram ao menos um semestre do que vem a ser o curso de jornalismo nas faculdades e universidades brasileiras, que pensam em deixar o curso pelos atuais acontecimentos, não entenderam o que estudaram, não entendem a natureza do trabalho do jornalista em nossa época, estão ocupando um lugar de maneira interesseira, nada nobre, sem metas sociais e criticas para o presente-futuro. Aos que ainda não estão freqüentando os bancos do ensino superior e que pretendiam cursar jornalismo, nada muda diante dos desafios de democratização e problematização da realidade. Não é o diploma o problema, ou o pouco valor dado a esse documento em algumas dimensões da vida social. O cerne da história deve ser enquadrada em meio a uma discussão entre técnica, talento, prática, compromissos, projetos, modelos de sociedade; e mesmo a natureza da prática jornalística em comparação a outras atividades e seus reconhecimentos.

A natureza daquilo que se faz nas ciências médicas, nas ciências jurídicas tem o caráter de construir campos de conhecimento que são amadurecidos tanto por um conjunto normativo que é identificado por especializações, fragmentações de conhecimento, discursos que exigem a seus interessados o direto ingresso em uma rotina que não é fácil devido a necessidade de se aprender a ser, a se empoderar das rotinas, falas e procedimentos. A natureza desses campos é construir especialistas, competências que não podem se sustentar por pontos de vista particulares, mas somente sustentados pela técnica, pela cientificidade. Nesse campo do que é científico ou não é onde se inclui os fazeres jornalísticos ou das comunicações. Qual a natureza do jornalismo? A opinião é uma de suas bases. Opinar parece ser da natureza das gentes: falar livremente, dar seu ponto de vista sobre algo, execrar ou enaltecer, protestar, conformar. Durante muito tempo fomos impedidos desse exercício de liberdade. Esse muito tempo depende, obviamente, da perspectiva de quem vê, situando-se no tempo, a partir de sua trajetória histórica, de suas disposições ideológicas. O jornalismo, ou certo tipo de material veiculado cotidianamente mundo a fora, seja em meios reconhecidos como jornalísticos, seja em outros veículos como as chamadas mídia sociais (Blogs, sites e outros) está repleto de opiniões. Quem pode vetar a liberdade de opinião? A contra-opinião, os grupos de censura (mercadológica, política, ideológica)? A opinião nossa de cada dia fez muitos praticantes de jornalismo, clássicos, que nunca passaram pela academia. A opinião nossa de cada dia vende idéias sobre o que são ou devem ser os passos morais e éticos dessas sociedades mudo afora. A opinião nossa de cada dia forma aquilo que essas hibridas classes sociais pensam, como pensam, sobre o que pensam daquilo que elas mesmas fazem parte. Mas temos problemas no percurso atual. As opiniões tendem a se tornar cada vez mais tendenciosas, seja politicamente, ideologicamente, economicamente. Os perigos diante de tantas formalizações é se achar que todas as opiniões são válidas de crédito. É preciso ter mecanismos de percepções mais consistentes para analisar a realidade. Nesse contexto, a técnica assimilada nas academias podem ser de grande valor. Podem, se forem criteriosamente, livremente e criativamente relacionadas. O trabalho com conceitos, técnicas, procedimentos, teorias, metodologias incrementam a profissionalização, o corpo técnico, e autonomia de atuação, o nicho de trabalho. Sem isso, os espaços estão abertos para que muito do que se pensa ser prática jornalística meramente opinativa não seja visto realmente como jornalismo contundente, científico, construindo condições de auto-crítica e engrandecimento. A instituição que não se auto-avalia não o faz ou por não se conhecer ou por ser baseada em atributos distantes do compromisso social para o qual foi gestada na sua multiplicidade de atores sociais.

Por outro lado, é preciso pensar que se certas empresas não terão mais obrigatoriedade em reconhecer os documentos de profissionalização de seus possíveis contratados, isso não invalida esse documento, tendo em vista que a sociedade é muito mais complexa, há muitas outras realidades que exigem diploma: editais públicos, seleções outras. O mundo é muito vasto. A complexidade da vida social abre, portanto, um maior cuidado com o trabalho com a informação. Velhas fórmulas são dinamicamente resignificadas por novas maneiras de encarar o fenômeno da comunicação. Mas essas novas abordagens somente terão sentido se os novos cientistas do fenômeno da comunicação, os pensadores sobre as sutilezas da expressividade humana despertarem para construção de categorias, o entendimento do que está sendo dito, novos saberes em processo. A academia é um lugar de debates, de aprendizados, de novas assimilações e exteriorizações. Dificilmente, nas redações, estúdios e produtoras esses conceitos estão sendo discutidos em seus parâmetros epistemológicos, mas estão sendo feitos na prática, a segunda metade do aprendizado; que em relação com a outra metade – a teoria – constroem um mundo com mais escolhas e possibilidades de entendimentos e expressões.

Qual jornalismo queremos? Que jornalistas são esses que vêem somente o papel pintado?


Respiros

Não é nada de menor relevância o pedido coletivo de bancadas do senado e parcelas da sociedade política para que o Presidente do Senado deixe seu cargo, o senhor José Sarney. Certamente alguma coisa já muda na onipotência e onipresença dessa figura política.

Como irão se comportar as forças políticas do Amapá diante desse movimento em solicitação da saída do velho senhor de manadas de cena, aquele da ilha?

Bom funcionário é aquele que fala aquilo que, somente, o patrão pensou, assim ganha crédito. Acho que o sociólogo Max Weber não chegou a pensar nesses termos, mas falou muito sobre de funcionários e lobos.

Desculpe-me pela ausência. Fim de semestre no ensino superior, além de atividades de pesquisa às vezes é fogo.

Domingo, Maio 31, 2009

Ensinar a pensar I

Algumas questões intrigantes: aprender a pensar possui uma mesma base operacional que pensar? E alongando o hábito de perguntar. Quem sabe pensar aprendeu ou fundamentou sua conquista como forma de atuação? Ou sua atuação é efeito da própria prática do pensar?

O lugar da filosofia e demais ciências do homem como via pedagógica no ensino médio e superior direcionadas aos educadores, certamente possibilita caminhar um pouco mais na discussão. Especificamente a filosofia, enquanto prática dita difícil, pode ser aproximada do cotidiano. Essa aproximação precisa ser pensada de maneira a possibilitar aos novos praticantes, ou iniciados-iniciandos, um contexto de condições de circulação em meio a certos cenários áridos e solitários que foram gerados no horizonte filosófico, principalmente no século XX.

Ao aluno-aprendente-ensinante recai uma tarefa difícil, qual seja, a de dar conta de milênios de tradição filosófica. Ao professor-ensinante-aprendente, o caminhar apronta surpresas, avanços e retrocessos. O processo de aprendizado compreende, na filosofia (e diria mais amplamente nas Ciências Humanas), um aprendizado – se permitido usar a imagem de João Cabral de Melo Neto, da educação pela pedra – complexa, desafiador e inquietante por tantas dificuldades muitas vezes pensadas intransponíveis. Imaginar que a aparente calma do mundo a nossa volta pode ser questionada, desmistificada, se envolvida num pacote hermético, difícil, fechado, para depois ser desfeito em maior compreensão é tarefa das mais difíceis no processo educativo. Ainda assim, suponho ser necessário pensar a filosofia em nosso ser de cada dia. O próprio ato de questionar-se seria esse sinal

Mas será que o fazer pensar é um lugar exclusivo da filosofia? Aonde estaria a responsabilidade das outras disciplinas ou campos de conhecimento nesse processo de amadurecimento crítico? Aprender a pensar é um processo contido em qualquer esfera ou pretendida circunscrição do conhecimento humano. Erra quem acredita que não pensam aqueles que fazem as ciências ditas da natureza; as descobertas ou especulações mais instigantes atualmente são oriundas do mundo da física, da biologia, da matemática no pensar sobre a imprevisibilidade, das partículas subatômicas, da complexidade do campo da bioinformática. Temos, então, um mundo em processo, necessário de ser conhecido, com critério, sistematicamente, sem que imaginemos ou fortaleçamos preconceitos, discriminações, mas, sim critérios claros, críticos e operacionais, livres a abertos a criatividade...

Fazer pensar, em tese, é possibilitar certas descobertas, de certos mundos. Provavelmente os impedimentos para que isso aconteça existem em quantidade. Aos professores e educadores em geral fica o desafio de validarem as teorias, metodologias e saberes na direção da construção de um processo educativo válido e comprometido com o seu tempo passado-presente-futuro. Mas como realmente realizar esse processo educativo tendo em vista um déficit essencial de interesse, motivação e percepção da urgente necessidade do saber pensar de maneira crítica e atuante em prol da construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e aberta? As questões se avolumam e tornam-se mais desafiadoras. Continuaremos nossas inquietações. Aconselho leitura de Morin, Baudrillard, Paulo Freire.

Respiros

E essa falta de açúcar em Macapá? Desse jeito não conseguimos adoçar a vida de tão complicada que está.

Por outro lado, coisa nem tanto doce, nem tanto surpreendente, a verba recebida pelos parlamentares para auxilio moradia? Mais uma mancha para a ficha corrida desses mandatários públicos. E o Povo Brasileiro todo santo dia sabendo-se mais alvo da esperteza de uns tantos. Ê Brasil!

Zygmunt Bauman acerta em cheio quando diz que nossa perda de inocência nos transforma nessas coisas sociais tão cheias de contradições. Ê mundo, vasto mundo!

Natal sendo sede da copa de 2014. Um sonho, um desafio, uma grande dor de cabeça, uma oportunidade, uma grande ousadia, ou tudo isso junto?

É difícil mobilizar adesões. Se eu espero das pessoas, elas estando em outro tempo, preciso saber que a visão deve ser mudada. Mas mudar é o paradoxo... Assim como ensinar-aprender a pensar...

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Quinta-feira, Maio 14, 2009

Um parlamento Brasil-União Européia: atribuições para um presente-futuro

As relações de fronteira sempre definem temas interessantes em pautas governamentais. Nesse sentido governos de países encontram como desafios equacionarem problemáticas que tocam desde questões de trânsito entre seus cidadãos, demandas econômicas e de desenvolvimento, violência, parcerias, reconhecimentos, além de outros temas mais relacionados à cooperação em infra-estrutura e ações colaborativas de saúde, dentre outros.

As relações de fronteira ao norte do Brasil que toca o estado do Amapá, tendo a Guiana Francesa em boa parte de sua extensão geográfica, oportunizam em tempos de ponte transfronteiriça, boas reflexões. Para além, no entanto, de se falar exclusivamente dos potenciais da ponte, tema que merece atenção, devido não somente as potencialidades, mas igualmente aos impactos, é bom que se diga que uma maior dinâmica entre o Brasil e a representação da Comunidade Européia aponta amadurecimento nas instituições políticas mundiais; e certamente tangencia a importância da presença internacional do Brasil em cenários que até então era vista como algo improvável. É nesse sentido, e diante desse renovado campo geopolítico regional e de blocos além mar, que as autoridades e as populações em geral, devem estar em sintonia sobre os desdobramentos das pautas e encaminhamentos do Parlamento que trata sobre as relações Brasil e União Européia. Definindo estratégias que reflitam problemas mundiais-locais sem que se perca o foco sobre a soberania dos países.

É salutar que em meio às relações de cooperação – e assim devem ser definidos conceitualmente os próximos encontros, projetos e ações, para que não caia no erro de se demandar etnocentrismos ou protagonismos em detrimento a relações igualitárias – seja discutido qual o papel do Brasil, certamente enquanto líder regional, e os países da Europa, encabeçado pela França. Mas essas mediações precisam contemplar um claro entendimento não somente no campo político-econômico. É de fundamental importância que seja discutida em relações multilaterais a troca tecnológica, educacional, simbólica, cultural, energética. Temas tão delicados assim precisam ser destacados e refletidos no resguardo das identidades produtivas, de geração de conhecimentos e saberes, de simbolismos e práticas, de relações com mananciais naturais ou derivados.

Ao mesmo tempo a ponte entre Brasil-Guiana Francesa desponta como símbolo e materialização de iniciativas, como potencial e oportunidade para que não se repita dramas sociais de outros lugares. Sobre esse último aspecto espera-se que o Amapá não se torne um estirão de ocupações e atividades produtivas sem planejamento como a via Teresina-Belém (BR-314). É urgente que o Parlamento reflita sobre problemas reais e potenciais: prostituição, tráfico de pessoas, corrupção, as terras indígenas cortadas pela BR-156 (trafego que será superdimensionado com a ponte), os impactos ambientais e humanos.

Pensar propostas e adiantamentos sobre interesses internacionais e locais quando a região em questão é a tão discutida Amazônia é estar num campo de desafios que de alguma maneira comprometem iniciativas e resultados se não forem equacionadas alianças que levem em consideração as particularidades dos povos, suas vicissitudes, suas potencialidades. E em meio ao que está em jogo nas relações possíveis do Parlamento Brasil-União Européia-Ponte Guiana-Oiapoque, tangencia relações de fronteira, mas temas cuja importância evidencia a complexa relação entre local-regional-nacional-mundial; esferas que exigem tato e diálogo entre todos os implicados. Sem esquecermos, ponto positivo ao Deputado Federal Bala Rocha (PDT/AP) por encampar essa iniciativa. Estamos observando!


Respiros

Por que será que a África é o único continente desse nosso planeta que não possui casos de infecção da Gripe A? Ou será que não houve pesquisa sobre o continente? Ou será que há anticorpos o suficiente diante de tudo de desafiador já vivido pelo continente onde tudo começou?

Quem se lixa para políticos que não se lixam para a população? Certamente é assim que a cena política no Brasil toma dimensões de telenovela. Onde sempre queremos ver mais, e sempre sabemos o enredo e fim.

Em Macapá tudo bem melhor que as chuvas que caem em partes do nordeste. Mas há problemas. Há mortes absurdas. Os taxistas são vitimas dos oportunismos de bandidos que não sabem como ganhar a vida a não ser tirando o brilho de outras pessoas. Autoridades acordem! Segurança pública, investigação científica e qualificada!

Enquanto isso, quais as iniciativas para políticas públicas para pesquisa e tecnologia? Será que os gestores locais pensam que realmente conseguem desenvolver um estado, uma cidade, um pais, com perspectiva de médio e longo prazo sem que haja investimento nesse campo da educação? Precisamos de apoio a pesquisa como geradora de conhecimento; precisamos de apoio a tecnologia como apoio a criatividade e empreendimento. Tudo isso visando o desenvolvimento racional, sustentável, cooperativo, democrático.

Será que a tendência do ensino superior será substituir o vestibular para ingresso por uma preparação para uma prova visando saber o que o aluno aprendeu ao final? Se a resposta for positiva, teremos um processo invertido e mais uma vez a instrumentalização do ensino para um fim específico e nada sintonizado com qualificações criticas e responsáveis, que por sua vez, não privilegiam somente o aluno, mas a competência da instituição. Será que as instituições irão apertar os professores para prepararem conteúdos visando o fim já falado, ou alunos irão solicitar conteúdos que vão “cair na prova”? Estamos observando!

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