quarta-feira, abril 08, 2009

Formação e transformação

É sempre positivo e necessário ressaltar que o mundo precisa de pessoas que transformem e não que permaneçam comodamente postas em suas locações. Precisamos pensar sobre esse tema cuidadosamente. Nós educadores possuímos a indiscutível missão de transformarmos pessoas para a transformação. Não há como se esquivar dessa missão, sob pena de meramente estarmos contribuindo para uma formação de uma sociedade conformista, passiva, esquiva a seus compromissos.

Transformar é ter consciência da responsabilidade, é ter aprendido interpretar o mundo, desbastar ou separar e reunir aspectos na complexidade do todo em que vivemos, e voltar ao todo. Essa, na verdade, uma postura tão divulgada nos bancos escolares; tanto que dominamos o mundo, manipulamos, modificamos esse mesmo mundo como uma experiência sem precedentes na história. E para, além disto, temos assuntos ainda não resolvidos. Limpar os excessos enganadores é nossa tarefa, saber desmistificar os discursos falaciosos, enganosos, os silogismos, as ideologias, que querem fazer passar por únicas respostas, por receitas indiscutíveis do que fazer. O que seria, portando, a possibilidade de realização dessas tarefas? É preciso atenção, a perda de rota é iminente. Não digo que seja ruim perder-se da rota eventualmente, dando lugar ao novo, a rediscussão, duvidando de nossas próprias opiniões. No entanto, o que é perigoso é sermos pessoas sem visão de mundo, sem sonhos, sem perspectivas; se é que isto pode ser possível tendo em vista que até mesmo o descaso é uma perspectiva de mundo, mesmo que turva. O perigoso alheamento de estar no mundo sem sermos atores dos eventos, dos acontecimentos, das reinvidicações, das emoções de estar no mundo, mas meramente como pessoas de segunda mão do movimento do cotidiano. Uma condição de segunda, terceira e tantas mãos, ou opiniões, que não correspondem as nossas próprias, sugestões sempre de outros, de outras fontes, de meios de comunicação, de interpretes de nossa vida, de certos falseadores...

Acordar para a vida também requer entender a dificuldade de criar novas posturas diante da vida, é nosso desafio; essas novas posturas teriam o teor de duvidarem do conforto que temos hoje em nosso cotidiano, de nossa posição social, de nossas certezas, das pessoas que nós somos. Qual o custo social, de vida, de humanidade para tudo isso acontecer? Quem não é para que eu seja? Quem deixa de viver para que eu viva, para que eu possa ir ao cinema, a universidade, ao supermercado? Quantos nunca conseguirão ser cidadãos para que eu consiga ser? Parece absurdo isso? E nesse campo chegamos ao nó do argumento: nesse caso poderíamos permitir que pessoas não sejam, não vivam, não existam como gente, cidadãos, indivíduos, para uns poucos possam ser? Nunca, essa seria a resposta sensata. Nunca deveremos permitir que outros sejam negados do seu direito a vida. Nossos sonhos devem conter a medida dos sonhos dos outros, e esse raciocínio poderia estar em extensão a outras realidades: a minha liberdade a medida da liberdade do outro, da sabedoria, da felicidade, das conquistas, dos outros, também.

Sem que cheguemos a cair em terreno igualmente falacioso, e querendo conversar com educadores e pais, façamos nosso papel em sermos agentes de pessoas que sejam formadas para transformar a vida em positividades. Não simplesmente pessoas que ocupam um lugar no mundo, mas que saibam definir medidas morais e éticas de suas ações e dos outros, sem se deixar cair no moralismo; e que tenham sempre em suas definições a ética da vida, da humanidade, do tempo que pertence a todos e cada um de nós. Precisamos pensar na responsabilidade social, mas além, na responsabilidade humana...

É preciso humanidade nesse nosso tempo de tanta contagem, e de tão pouco coração. Precisamos emocionar as pessoas trazendo, resgatando, evidenciado aquilo de melhor que possuem. A dificuldade muitas vezes de realizar tais boas ousadias está na dureza da casca que obstinadamente fortalecemos de vaidades, egoísmos, individualismo, parcialidades, indelicadezas, covardias, fraquezas, orgulhos, ressentimentos, soberba... Alguém de vocês leitores se vê nessas imagens?

As pessoas para a transformação precisam ser leves, amigáveis, solidárias, gentis, desarmadas. O mundo da vida agradece, nós leitores do mundo também. Força e luz!

Contatos: Luciano Magnus de Araújo - Antropólogo e Educador - lucianoaraujo3@yahoo.com.br lma3@hotmail.com - (96) 81177450.


Um comentário:

Mila Ramos disse...

As pessoas estão cada vez mais hedonistas, e essa situação (propiciada principalmente pelo capitalismo), faz com que cada vez mais o comodismo seja uma manobra de defesa e ataque da sociedade, não somente neutralidade.

A questão é que deve-se estimular nos cidadãos aidéia de que somos "1(um)". Apartir do momento que encararmos os esquemas sociais e seus personagens como UNIDADE, perceberemos que somos responsáveis pelo bem estar geral, não só o nosso. Aí então a mudança acontece em todos os espaços sociais, pois trataremos do TODO como o NOSSO.


Mila Ramos

http://porumnovojornalismo.blogspot.com