quarta-feira, outubro 21, 2009

Um presente

Gostaria de agradecer ao design Luciano Pedroza pelo presente da nova logomarca do Observatório Amapá. Com talento o grande design e professor conseguiu criar um elemento visual perfeito para o nosso projeto. Agradeço, caro amigo!

Luciano Magnus de Araújo

o Editor

BlogBlogs.Com.Br

domingo, outubro 11, 2009

Demandas territoriais no Amapá e o trabalho antropológico

O potencial das demandas por demarcações territoriais no estado do Amapá definem um cenário interessante para análises por parte de profissionais em antropologia. A existência de comunidades indígenas e de afro-descentes possibilita contextos de análise onde na medida em que atualiza discussões sobre os potenciais analíticos do discurso científico, revela realidades sobre disputas, atuações institucionais, atores, problemas, carências. É bem certo que em relação às comunidades indígenas já existe uma situação bem resolvida; salvo a atualidade de novos empreendimentos da modernidade técnica que se insurge nos espaços reconhecidos dos povos indígenas, vide as questões atuais sobre a estrada que corta a terra Uaçá, ainda precisando de estudos antropológicos. Afora isso temos alguns outros pontos que merecem reflexão quando do trabalho antropológico em terras amapaenses.
Nesse contexto alguns atores sociais estão diretamente envolvidos, e mais diretamente quando o tema de territorialidade toca as comunidades afro-descendentes, sejam aquelas já tituladas como terras quilombolas, ou as que estão em processo, mas que já se auto-identificam como quilombos. A demarcação nessas terras parte, portanto, de uma dimensão cultural, simbólica, identitária, coletiva. Mas que também fundamenta certo caráter político. E nesse ponto é preciso considerações breves, para as dimensões desse artigo. A quem interessa o tornar-se quilombola? Ou o auto-reconhecimento é um processo de construção que não necessita de mediações, sendo construído por força do grupo interessado em se auto-identificar e ser reconhecido pelo resto da sociedade? No caso de haverem mediadores o que representam no contexto do grupo, a voz coletiva, dispondo claramente todos os desdobramentos do tornar-se quilombo? Essas são algumas questões fundamentais para o trabalho do antropólogo. Muitas vezes não são postas claramente, mas ao longo das elaborações dos Laudos Antropológicos ou Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA`s), os documentos técnicos que corroboram o judiciário nos contextos de demarcação, precisam ser respondidas. A construção do trabalho antropológico é um processo demorado, necessitam reconhecimentos, relativizações. É um trabalho em etapas, compondo momentos indispensáveis: a auto-identificação das terras, o processo direcionado a Fundação Palmares, o acionamento das instituições públicas de justiça, o laudo antropológico, dando suporte às outras etapas. Nesse contexto, o trabalho técnico do profissional de ciências sociais, o antropólogo, é de participar a lógica da comunidade sobre o uso da terra, sua historicidade, suas ligações entre o ontem e o hoje enquanto grupo. É preciso haver clareza nesses desdobramentos.
Há hoje uma clara defasagem de pessoal nas instituições competentes sobre territorialidade no Brasil, que precisam da elaboração dos estudos antropológicos para resolver certas demandas. Essa defasagem enseja em geral demora nos processos, disputas que muitas vezes procuram distorcer dados, emperrar processos. É preciso entender que, no contexto das disputas, há sempre discursos que querem ser identificados como verdadeiros, construído narrativas sobre propriedade a terra que exigem pesquisa, estudo, verificação. Nesses pontos é onde se situa o trabalho antropológico.
A atualidade do conceito quilombola, assim como a posse a terra nos possibilita a reflexão sobre problemas que estão situados no presente, mas que remontam sincronias e diacronias históricas que precisam ser equacionadas cientificamente, criteriosamente, mesmo que o contexto dessa pesquisa seja o campo de tradições, de práticas e entendimentos coletivos; isso tudo posto na mesa. Menos o exclusivo poder do dinheiro. Nesse ponto é onde se situa a antropólogo como profissional multidisciplinar, atento as demandas de coletividades, em suas realidades específicas, mas vendo ao longe os movimentos da sociedade mais amplamente.
Respiros
Em Macapá, como sempre, para ver os caros eleitores, o homem do senado. E seu séquito
Há quem diga que tudo deve ser apagado, e que precisamos recomeçar do zero. Eita!!!
Alguém pode responder porque tantos afagos nas câmaras ao mesmo tempo que tanto abraços nos bastidores?
Quem usa ônibus coletivo em Macapá sabe o miolo da cabeça que tem de tanto balançar.
Quer ser criativo, contrate um acessor político!
Dúvidas, orientações, criticas e sugestões:

Msc. Luciano Magnus de Araújo.
Para Conversações: (96) 8117.7450
Emails de contato:
LMA3@HOTMAIL.COM
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ORKUT: Luc Araújo
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quinta-feira, setembro 03, 2009

O Projeto Rondon em Caturité, Paraíba, Brasil afora...

Pensando depois de quase um mês, estivemos na Paraíba, em vinte e quatro municípios espalhados por essa terra nordestina. De universidades e faculdades distantes ou próximas definimos mais uma edição do Projeto Rondon, agora a edição Nordeste-Sul.

Com nossa equipe maior, composta por dezesseis pessoas, encontra-se tudo que é possível na condição humana: desde interações, acordos, desacordos, brincadeiras, riso, certa reclusão, criatividade. Mas estávamos firmes desenvolvendo as atividades propostas num longo planejamento antes de estarmos aqui. Da mesma forma aconteceu com as outras equipes espalhadas pela Paraíba e por cidades do sul do Brasil. O Projeto Rondon é uma oportuna possibilidade de alunos e professores conhecerem e atuarem em municípios que definem a condição de vulnerabilidade segundo o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. A partir da detecção de municípios que se enquadram em baixos índices de IDH, é feito uma seleção diante de vários aspectos dentre eles economia, política, sociedade, possibilidades, educação, e essa localidade é incluída como futura comunidade a ser visitada pelas equipes rondonistas. Claro que esse seria um esquema bem simplificado de toda a operação de logística que envolve todo o planejamento de mobilização das equipes para as localidades contempladas. Mas, diante de tanto esforço, desde o deslocamento das equipes de suas cidades de origem, até os primeiros reconhecimentos da localidade para onde foram alocadas, a vivência com as pessoas do lugar, tudo, é obra daquilo que é possibilitado pelo Rondon.

Somos agentes de uma ação muito bem vinda, segundo dizem os munícipes. Trazemos bons ares quando ofertamos cursos, palestras, capacitações. As pessoas nas pequenas localidades por onde passa o Projeto Rondon parecem ansiosas por atenção, querem aprender, são atentas e respeitosas sobre aquilo que está sendo dito. Em nenhum momento é possível presenciar aquela arrogância que se encontra muito na cidade quando se quer desfazer dos trabalhos do outro, recusando-se a aceitar aquilo que está sendo oferecido.

Na comunidade onde desenvolvemos nossos trabalhos, Caturité/PB, durante as duas semanas, presenciamos aquilo de desprendimento, boa vontade, sinceridade e adesão por parte da comunidade. Sem essa participação, tanto do setor público institucional, quanto dos populares, as atividades do Projeto Rondon estariam fadadas ao fracasso. As carências locais são um capítulo a parte nos reconhecimentos feitos pelas equipes rondonistas. Ainda assim, o município de Caturité foi se mostrando, dentro de seus limites estruturais, uma localidade bem administrada. É bem certo que as entrelinhas dos processos institucionais-administrativos somente podiam ser imaginadas, mas diante daquilo que nos foi oferecido, realizando o que é solicitado para que os municípios façam parte do Rondon, obtivemos da prefeitura de Caturité e de seus funcionários (que se tornaram mais amigos que meramente representantes do gestor público) tudo o que foi preciso.

As relações, os processos, os reconhecimentos, as identificações, cada coisa em seu lugar teve um capitulo valoroso sobre o que é aprender na convivência em uma comunidade. Estivemos em alguns lugares, falamos com algumas pessoas, tratamos sobre alguns temas, polêmicos ou nem tanto, mas sempre na preocupação de termos a adesão, a participação, a confiança de que estávamos ali para nos doar plenamente para os propósitos do que é o Projeto Rondon: doação, solidariedade, cidadania, responsabilidade com a sociedade.

Muitos de nós somos oriundos de contextos institucionais diferentes, uns de iniciativas privadas outros de instituições públicas, mas que em Caturité, ou qualquer outro lugar do Brasil onde se realizam as ações do Projeto Rondon, não haviam distinções evidentes, mas claramente atores que prezaram, antes de tudo, trabalharem para levar às comunidades boa parte do que conseguimos assimilar em nossos processos de formação profissional, tanto professores quanto alunos. O dizer: “uma lição de Brasil”, não é algo menor, é a mais pura realidade. Conhecemos as mais diversas realidades na medida em que nos embrenhamos nas particularidades dos mundos, das especificidades das maneiras de viver, de fazer, de ser. E ainda fazemos amizades, somos tidos como amigos, somos valorizados como pessoas de bem, isso é o que importa. Agora abrindo o mapa do Brasil não vemos somente abstração, lugares distantes ou mais perto, mas conhecemos um pouco mais disso que chamamos federação, a terra para se viver, ser, e fazer acontecer.